Investir em publicidade requer dinheiro e nem sempre se tem disponível no bolso para alavancar um negócio ou um serviço. E pensando em ampliar as vendas e a falta de fiscalização fazem com que o Recreio seja o paraíso dos anúncios em postes pelo bairro. Tem de tudo que se possa imaginar nos postes da região. Percorremos da Balthazar da Silveira até a Ministro Alliomar Baleeiro perto do Cevada Sa e da padaria Vaspão e em cada quarteirão que passamos tem uma propaganda, em geral, papéis colados. Mas tem gente que se preocupa com a “beleza” e prega placas de madeira e metal.
Os anúncios são variados. Mãe Cleide enaltece no poste da avenida das Américas que traz a pessoa amada e ainda a deixa submissa. Tentamos ligar para os telefones do cartaz , mas até o fechamento dessa matérias, permaneciam desligados. Vai ver que ela mesmo arrumou um amor ou mudou de estratégia. No mesmo poste, uma propaganda chama para uma noite de forró arretado e promete fazer a festa e divertir todo mundo a noite toda pro apenas R$10.
No poste seguinte, um profissional de limpeza de sofá apresenta seus serviços. Ligamos para ele e para nossa surpresa, ele não mora por aqui, e sim, em Campo Grande. Perguntamos se já havia tomado alguma multa e ele disse que não e perguntou:
__”O senhor está falando de onde?”
Eu respondi que do Recreio e perguntei o por quê da pergunta?
Para nosso espanto informou que tem placas espalhadas pelo Rio de Janeiro, com destaque para zona sul e até na Piedade, frisou. O preço? R$ 160 um sofá de 3 lugares. Se vai ficar limpo é uma outra história.
No site da Prefeitura, em Coordenação Licenciamento e Fiscalização estão lá as regras e deixa claro o que não é permitido na questão de veicular publicidade: que cause danos de qualquer natureza ao patrimônio público; que utilize incorretamente a língua portuguesa; que utilize linguagem vulgar; pintada em paredes e muros; em porta de garagens; em árvores e postes; em calçadas e meios-fios; em túneis, viadutos, passarelas e pontes; em parques, praças, jardins e áreas florestais; em estátuas, monumentos e prédios históricos; a menos de 200 metros dos emboques de túneis e de pontes, viadutos e passarelas; na orla marítima e na faixa de domínio de lagoas; em encostas de morros, habitados ou não; em áreas florestadas; enfim, não pode nada sem consulta prévia .
Na praia, um salão de beleza no pontal inovou e pregou a sua publicidade na cerca que protege a restinga no Posto 11 e em frente a padaria Alfa Belle. É tão perfeito que ninguém nota. Só um olhar mais atento é que percebe as amaras.
Em Recife, desde fevereiro, os anúncios em postes e muros vão pagar uma multa de R$ 6.541,02 por propaganda. Segundo a Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano, mais de 300 empreendimentos fazem este tipo de divulgação ilegal pela cidade. Durante todo o segundo semestre de 2013, a Prefeitura do Recife fez um levantamento nos postes e muros do município e notificou os infratores, avisando-os que eles tinham até 31 de janeiro para retirarem os anúncios. Ao que parece muitas das empresas não sabem que esses anúncios são ilegais. Agora, se os lambe-lambes ainda continuam enfeiando as cercas anunciando shows e eventos, alguém acredita que a publicidade acabará nos postes?
Segundo a assessoria de imprensa da Sub Prefeitura ad Barra, por email , ” a propaganda em postes públicos é irregular. Quem fiscaliza é o cidadão (através do 1746) e a Subprefeitura e a Seop. Quem notifica é a Subprefeitura e a Secretaria de Ordem Pública. Mas quem retira as placas é a Comlurb, a pedido de um dos órgãos. Ou, se for o caso, de pintar o muro, para apagar a propaganda (nesse caso considerada uma pichação) é a Secretaria de Conservação” finaliza.
É um trabalho conjunto de todos os órgãos.









