Eles acordavam 6 da manhã , marcavam um ponto de encontro na Gláucio Gil e seguiam rumo à Baixada para mais um dia de treinos para tentar trazer de volta à primeira divisão, o segundo time do coração dos cariocas, o América. Mas tanto esforço não foi o suficiente para se manterem nos cargos. Após mais uma derrota no disputadíssimo campeonato da segunda divisão, o trio se desfez após a derrota para o Barra mansa por 4 x 1.
Quando fomos entrevistar a comissão, era para mostrar o sacrifício de treinar uma equipe sob sol forte e com pouca estrutura. E os maus resultados viraram o jogo da vida e o grupo se desfez, pelo menos no trabalho. Comissão experiente, Ernesto Paulo, o ex goleiro Ricardo Cruz e ex- zagueiro Zé Carlos II enfrentavam trânsito pesado da Linha Amarela e Via Dutra , com 1h 40 de engarrafamento até Edson Passos, onde ocorrem os treinos.
Numa manhã ensolarada e quente de Fevereiro, um pequeno grupo de jovens atletas e sua comissão técnica esperavam a kombi com material para mais um dia de treino físico na praia da Barra da Tijuca. Em frente ao Gran Parrilla, Ernesto Paulo, Zé Carlos II e Ricardo Cruz aguardavam junto com o preparador físico, o início dos treinos. O técnico já se demonstrava impaciente com o atraso. Depois ficou sabendo que um problema na Linha Amarela dificultava a chegada do equipamento. Isso foi só um pequeno problema dentro muitas adversidades que o grupo vivia, jogando uma segunda divisão carioca. Gramados ruins, viagens cansativas e falta de estrutura incomodavam, mas não desanimavam. Acostumados a grandes estruturas em tempos de vacas gordas eles não se queixavam um só minuto e até achavam graça das dificuldades.
__”A gente se adapta. A diretoria é séria e quis ficar com a gente , mesmo a empresa de marketing esportivo ter saído, mas as dificuldades são muitas, principalmente o calor”, revelou Ernesto, que quando nos deu essa entrevista ainda estava no cargo de técnico. E para a piorar a vida dos jogadores, Edson Passos chegou a bater 42 graus num tarde de sábado. Ernesto lembrou que nem nos tempos do início da carreira quando dirigiu o Rio Negro, em Roraima, fazia tanto calor. Zé Carlos II que defendeu Flamengo , Vasco e Porto, de Portugal, no passado disse ter se sentido mal num dia de treinamento:
__”Lembra Ernesto, que a gente se sentiu esquisito no vestiário e não sabia o que era? Era a sauninha lá de Edson Passos, meu amigo”, brincou o auxiliar técnico. Até o fechamento dessa matéria, o América tinha perdido três partidas e empatado. Zé Carlos voltou para seu quiosque, Terapia, quase na Gláucio Gil e Ernesto para as resenhas nas terças do Out Back onde encontra os amigos e o América segue sem técnico.




