Driblando a crise com as quentinhas

Matérias - julho de 2019
Desde o segundo trimestre do ano passado, a quantidade de vendedores de quentinhas espalhados pelas ruas do Rio de Janeiro subiu de 7.992 para 45 mil. O dado do IBGE revela que a iniciativa é a opção de muitos trabalhadores cariocas para se livrar da crise, seja complementando a renda ou mesmo tendo o comércio de alimentos como sua principal fonte de recursos. E aqui na região o cenário não é diferente.  Havíamos reparado  o pipocar de carros  particulares  parados em locais até sem muito movimento com a tampa traseira levantada e uma placa avisando: vendemos quentinhas. Vimos   um pouco antes do Prezunic  do viaduto Orlando Raso, na  Silvia Pozzano, na Rua do Zico, na Jornalista Tim Lopes, na Barra e, na orla do Recreio.

Ali, encontramos, sob sol forte o casal Alexandra e Bruno, moradores de Pedra de Guaratiba e há 6 meses na Lúcio Costa, em frente ao número 16.856. Ela já foi chef de restaurante peruano no Jardim Botânico, teve seu próprio negócio na rua das ‘tias” em Barra de Guaratiba mas não reclama:
_-Olha, não volto a ter meu restaurante não. Muito encargo, muita taxa, muito imposto. A baixa temporada acabou com agente no último restaurante,’ revela a Chef formada, mãe de três filhos e que vende de 70 a 100 quentinhas por dia, faça chuva, faça sol.
No cardápio que vende a R$ 12, o prato dá direito a um Guaracamp e costuma ter 5 pratos diferentes:
côxa e sobrecôxa,
almôndegas ao molho
de carne assada,
e filé de frango no dia que visitamos. Como clientes fixos, motoristas de uber, trabalhadores de obras e moradores das ruas próximas:
__Tem até jogador de futebol que mora aqui perto e volta e meia vem comprar comigo”, revela com alegria. O novo cenário já afeta os restaurantes. Em um deles, onde o movimento caiu mais da metade, o preço da refeição teve que ser reduzido para que os clientes fossem “resgatados”. O fenômeno na venda de quentinhas não é só de terras fluminenses.

“Não é só no Rio, mas em outros estados isso também está acontecendo e a pesquisa mostra isso, é o aumento das pessoas comercializando comida. Você me pergunta: essas pessoas podem estar gerando também emprego? Sim, mas é um emprego sem carteira”, explicou Cimar Azeredo, do IBGE.


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