Fios: Tá tudo enrolado e jogado pelo Recreio

Matérias - abril de 2014

JRTá tudo enrolado e jogado, literalmente.  Depois da matéria na edição passada que falava sobre os fios espalhados e na altura dos pedestres na Avenida das Américas,  quase chegando na Benvindo de Novaes, decidimos andar pelo bairro e verificar outras situações. O cenário é desanimador. Fizemos inúmeras fotos de fios “com barriga”, pendurados, na altura das pessoas, cortados, enfim, abandonados.

O emaranhado chama atenção em determinados casos, lembrando uma comunidade carente, algo que não deveria acontecer num bairro em expansão  e novo, como o Recreio. Em decreto publicado em setembro de 2011 a prefeitura prometeu iniciar o processo de melhorar a paisagem do Rio  com extinção da rede aérea mantida pela Light e por outras concessionárias de serviços públicos em cerca de 480 mil postes. Na então publicação, o prefeito Eduardo Paes determina que a rede seja embutida até fevereiro de 2016. O que não temos visto na prática. O fim da fiação ao ar livre foi decidido apesar de o município até hoje não ter conseguido concluir o mapeamento da sua rede subterrânea.

Na rua Maurício da Costa com Celestino Basílio, o fio de telefonia está amarrado em volta de dois orelhões como mostra na foto. Para piorar, as imagens do google maps já apresenta a fiação lá. Isso deve estar há dois anos , no mínimo. Na rua Coronel João Olintho , em frente ao número 150, uma escola , um fio de cerca de 15 metros está quase no chão.

É tanto fio que não dá para saber de quem é quem, mas  conversamos por email com o Engenheiro do CREA, Eduardo Sabatino que nos explicou:

__”A fiação colocada do lado externo do poste (junto à rua) são  de telefonia e a fiação do lado interno do poste são  de TV a cabo. As fotos são de boa qualidade, mas, definir aconcessionária fica difícil, pois, faltou determinar que tipo de fiação esta pendente. Verificando as fotos do seu segundo email notei que após uma ação de modificação na via pública asconcessionárias não concluíram os remanejamentos necessários. O descaso com as redes aéreas e a falta de fiscalização por parte da prefeitura (código de posturas municipais) e da omissão das agências reguladoras são os principais motivos”, afirmou o engenheiro após verificar nossas fotos.

Não tivemos nenhum relato de acidentes, ainda . Em sua segunda resposta o Sr. Eduardo alerta para o perigo:

__”Creio que com a mobilização da população e/ou órgãos representativos, juntamente com o Ministério Publico, teremos uma mudança radical através de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta). Acidentes, inclusive fatais, podem ocorrer, pois, o pedestre não tem noção de onde a fiação esta conectada e descargas elétricas podem acontecer”, lembra.

Perguntamos a Light e a Oi , através de suas assessorias, mas somente a primeira nos retornou em nota:

“ A Light informa que todos as imagens enviadas refletem casos relacionados com fiação de rede de telefonia. A manutenção dessa rede é responsabilidade da empresa correspondente”, através de um comunicado. Já a subprefeitura , por email , informou que  a Secretaria de Conservação pública explicou que  cada operadora de telefonia e concessionária de serviço conta com uma agência reguladora. No caso das operadoras da telefonia, a Anatel, no caso da Light, a Agenersa. São essas agências as responsáveis pela fiscalização dos serviços, que inclui qualidade de sinal, equipamentos,  e fios. Ligamos para Brasília para falar com alguém da Anatel , e nos informaram que irão apurar os fatos.


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