
No início do mês passado a jornalista Rafaela Tayão, de 32 anos, tomou um susto quando atravessava a Avenida das Américas na altura do McDonalds em direção ao seu trabalho. Não era para menos. Acostumada a desviar de bicicletas , motos, carros e ônibus pelas perigosa via, não imaginava que iria se deparar com um jacaré de papo-amarelo bem ali na sua frente na calçada tentando atravessar. Tal fato que num primeiro momento salta aos nossos olhos, na verdade está muito mais perto da nossa realidade, mostrando nitidamente a invasão do homem na terra dos jacarés. O próprio nome da bacia que fica ao redor do nosso bairro já diz: ”jacarepaguá” é um termo tupi que significa “enseada do lugar dos jacarés”, através da junção dos termos îakaré (jacaré), paba (lugar) e kûá (enseada).
E a tendência é aumentar esses ‘‘sustos”. Capivaras , cobras e outros bichos vão continuar a transitar pelo meio urbano já que percorrem quilômetros para buscar recursos naturais para sua subsistência.
O professor de biologia Ricardo F. Freitas Filho que tem Doutorado em Ecologia e Evolução – UERJ e Mestrado em Biologia e Comportamento Animal – UFJF afirma que a falta de interesse público e a profunda ignorância das pessoas são problemas maiores que uma simples aparição entre nós:
__” O animal apareceu na via por que a via está no caminho do animal. Simples assim! Construímos uma cidade em terreno alagado. Fora isso, estamos em plena área de reprodução de jacarés, e com isso, animais menores (como o que foi atropelado, que não era um filhote, mas sim, um subadulto) buscam ambientes menos competitivos para passarem o Verão e aproveitarem os recursos naturais disponíveis. Só que na região, todos os acessos ao animal estão urbanizados, logo, o animal é obrigado a tentar atravessar as áreas urbanas para chegar a algum lugar um pouco melhor e com menos animais grandes. “, completa.
O professor ainda reforça que o cenário caminha para a extinção:
__” Hoje são 550 animais monitorados, e na maioria machos. Portanto, o caminho mais provável é a extinção ao longo das próximas décadas. Dou o exemplo da Ilha Pura. Ali , para construção do complexo dos atletas olímpicos e da via do BRT , uma enorme área foi aterrada e invadida pela construção civil. Fizeram algo pelo jacaré?”, lembra o professor.
O Corpo de Bombeiros só conseguiu resgatar o animal(já sem vida) após 3 horas, mas a burocracia do 1746 havia comunicado a jornalista que presenciou o fato que esse animal só seria removido num prazo de 64 horas. O professor diante dessa informação completou:
__” Se fosse um bebê, uma simples criança atravessando , isso jamais aconteceria, mas era um jacaré e as pessoas , infelizmente, não dão atenção ao tema.” lamenta.




