Ele ama a música popular brasileira. O seu amor é tão grande que num show em que fazia chamou uma moça para cantar junto uma música de Marisa Monte, “Ainda Lembro”, e ele penso: ”Preciso casar com essa moça, bicho”! E casou. Hoje é sua esposa e cantora da banda que montaram, SAMBA DE DONNANA, formada há pouco mais de 1 ano para participar -mês passado – no programa Superstar da TV Globo, saindo na terceira fase.
Moradores de Vargem Pequena, Maurício tem uma identificação com o Recreio e Barra. Só no Kaçuá, aonde se apresenta todos os sábados, são 16 anos em cartaz. Merece até uma conferida no Guinessbook, o livro dos recordes. Numa conversa rápida com Maurício revela-se a pessoa extremamente agradável e com tiradas engraçadas. A impressão que se dá em meia hora é que queremos ficar mais horas. E ficamos duas! Sempre bem humorado, ri da vida e das dificuldades que a música lhe proporciona. Fazendo -o voltar ao passado, lembra dos primeiros acordes ao violão junto com sua mãe e inspiradora, Ana (sacou o Samba de Donnana?) até a formação de um grupo de MPB, chamado OUTROSSIM que fez barulho na década de 90 com Jorge Vercilo, Adil Tiscatti, Fábio e Alexandre Rocha e seu irmão Marcelo Miranda que toca em Portugal há anos. Aliás, Maurício, 46 anos, já demonstra um certo cansaço com a dificuldade de se viver de música nesse país de sertanejos e funks pré-fabricados e deu prazo de, no máximo, dois anos para partir para Portugal e encontrar seu irmão.
“Os europeus gostam de nosso samba e de nossa música. Se gostam, vou para lá. Aqui tá difícil”, completou.
Maurício e Elaine nos receberam no simpático restaurante Talenttus, em Vargem Pequena para um almoço pra lá de amistoso. Entre uma garfada e outra numa feijoada completa e um carré à Mineira ele falou de sua trajetória na música; de seus anseios; de seu amor por Elaine e, principalmente , pela Música Popular Brasileira que não cansa de defender. Em cartaz aos sábados no Kaçuá, e às sextas, na uisqueria(segundo andar) do Estrela do Sul desfilou seu bom humor, confiram:
1) Você com toda sua experiência, não deve ter ficado chateado por ter deixado o programa tão cedo, né?
R: De maneira alguma. Aquilo é um jogo. Leva em conta o dia da apresentação, escolha de repertório, cabeça de jurado, cabeça de produtor do programa que conta muito… Ah, bicho, se conta… Aquilo é um produto da Globo e tem que dar certo!
2) Como surgiu o convite para participar do programa?
R: Na verdade, não foi convite. A gente se inscreveu e foi chamado para audição. Foi até em cima do laço, Fevereiro mais ou menos. Dois dias antes do carnaval e chamaram em seguida.
3) É tudo pré-gravado né?
R: Sim, só a voz é à Vera(sic). Mesmo porque a logística para entrar uma banda e sair outra é em segundos. Os caras chegam até te empurrar! (risos) Muito tenso. O Power Trip, por exemplo, que são bons para caramba, tava fazendo um movimento incoerente, uma mímica de guitarra nada a ver com o que tava saindo no som. Pararam na hora a gravação!
4) Você se apresenta há anos na região, a exposição no programa mudou algo na sua vida de músico?
R: Inegavelmente, sim. É uma chancela que você ganha de produto de boa banda, que dá para usar tranquilamente. Agora, achei que seria aquele-estouro-de-boiada, que iria bombar de ligações, e nada. Cheguei a até a alugar um telefone, mas não rolou. Vou jogar na crise do país, sei lá. Agora naquele universo de 1 milhão de bandas inscritas, a gente ficar num top 16 está show de bola, não tá?
5) Porque não apresentou nenhum autoral, já que você é compositor?
R: Não deixaram de jeito nenhum. A gente até questionou para tocar apenas uma, apenas a que a gente se inscreveu , que nos levou ao programa e nada. Não deixaram. Eu só queria era o autoral. Aquela banda do Plutão-não-sei-dasquantas-, da menina de cabelo curto, sabe? Tocou várias. Aí , fui questionar , me falaram que tinha ser muito forte a música para tentar um autoral porque é o Brasil inteiro assistindo.
6) Você chegou a pelo menos um show com cachê bacana
que valesse à pena?
R: Ainda não, Mas estamos trabalhando para isso. Não podemos é deixar morrer. O Samba de Donnana está vivo na memória das pessoas ainda. Tem rolado uns convites bacanas, como a MPB FM, no samba social clube, programa CAMAROTE DE SAMBA, mas quero mais!
7) Samba de Nonna é inspirado naquela que te botou nesse planeta difícil, é isso?
R: Exatamente, minha querida Ana Maria Miranda. A gente se reunia na casa da minha mãe. Já rolou vários saraus lá, não com essa galera. Mas com eles ela veio oferecer um feijãozinho para agradar e criar um clima, além de matar a fome, né? Nesse encontro, a gente testava algumas canções, fusões, e rolou uma alquimia e decidimos homenagear Donnana, minha santa mãe. Ficou conhecida em todo o Brasil, menos Curicica! (risos)


8) Quantos programas foram 3 ? Quais foram as canções?
R: ‘Sinais de Fogo’, da Preta Gil,composição da Ana Carolina, mas ficou famosa na voz da Preta Gil. ‘Não me Deixe Só’, da Vanessa da Matta com Marcelo D 2, além de ‘SOSolidão’, Lulu Santos, com uma fusão com Light House Family, com ‘Loving Every Minute”.
9) Representante do samba só teve você né?
R: Nessa edição teve Os De Paula, filhos do Netinho , lembra?
10) Não faz mal. Cabe ainda a pergunta: Você não acha muito pouco a participação desse gênero que nos representa tanto, que mostra nossas essência como cultura do povo?
R: Eu acho. com certeza.

11) Porque acha que perdeu esse espaço para os outros ritmos?
R:Eu acho que a própria galera do samba desacredita o próprio programa por não enxergar o ritmo ali, e consequentemente não se enxergar cantando ali. Você pode perceber que as bandas que participam são do nicho pop. Tanto que quando mandamos chamaram imediatamente porque desejam que tenham todos os representantes da música, inclusive, o samba.
A própria galera do samba não envia o material. Eles devem pensar: Ah são sempre as bandinhas de rock que se dão bem ?! Nem vou mandar!” Pode de ver que é isso.
12) Mas a noite tinham várias grupos de samba não tinha?
https://www.youtube.com/watch?v=9x6cK5QKB1M
R: Eles falaram que quando mudaram o horário o público é outro. A galera do almoço é para cantar junto, covers . É família toda reunida na mesa do almoço.
13) Bola Pra frente, dever cumprido?
R: Apesar de ter duas ligações , participar do programa foi incrível, claro que sim! Veja bem, a motivação para ter participado foi por um amigo, o Artur, que tocou com o Gafieira Carioca. Eles fizeram 30 shows. Um barato né? Agora, também, depois o pau quebrou entre eles e a banda se desfez. Aliás, vi muito isso lá. Os integrantes saindo no pau , após uma eliminação, um culpando o outro por não ter escolhido a música “A” ou B”. Baixaria total (risos). Acontece porque rola um clima de culpar sabe? Aquele negócio do ‘porque você não me tocou a que escolhi e por aí vai.
14)Qual o segredo de estar anos em cartaz , e no mesmo lugar?
R: Muito doido. Tem aquele cabra que chega e fala: Nossa tu (sic) é bom de mais , mas vê se troca o repertório né?

Aí , na mesma noite tem o outro que chega e diz: ‘Eu venho aqui todo o sábado para te ver e você não muda nem a ordem das canções? Não é engraçado?
Agora, com a vinda da Elaine ganhei um elemento surpresa, o ‘curinga’ na manga. Ninguém aguenta me ver durante 4 horas seguidas. São quase 80 músicas sem parar praticamente! E ela por ser uma mulher, entra num universo que não alcanço e abre um leque de músicas muito legal de se experimentar.
E nos meus shows eu falo pra todo mundo participar. Aniversariante comigo canta ! Canta o amigo, o amigo do amigo e por aí vai. E outra, se você não lida bem com o público vai tocar para as mesas.
15) Acho esse o seu diferencial.
R: Por isso que aniversariante se amarra em mim! (risos)
16) O que encanta em você é o entusiasmo, não perca isso!
R: verdade , reconheço isso! Gosto muito o que faço. Faço com amor. Meus amigos sempre me dizem isso (risos). Eu toco para 2 , para 20 e para 100 do mesmo jeito! Tem que ser verdade!
https://globoplay.globo.com/v/5056802/
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