Na nossa profissão de jornalista temos o privilégio de conhecer pessoas de todos os tipos, raça, cor e clero, inclusive artistas, que são um caso à parte porque nasceram diferentes, com percepções diferentes, almas diferentes, mais sensíveis, tanto para mais como para menos.
Faço destaque primeiro para Paulo Silvino, um gentleman, além de muito engraçado. Conversamos com ele no Empório Santa Therezinha e o mais engraçado foi vê-lo atuar. Isso mesmo, na nossa entrevista numa tarde em pleno dia de semana chuvoso ele levou a sério o bordão famoso que criou “Ah, eu gosto muuiiito” e foi ao ataque se é que me entendem. Dividindo pela metade a idade do entrevistado, conversamos com Rodrigo da banda Suricato, que nos recebeu em seu apartamento na Genaro de Carvalho. Ele estava em plena competição do Superstar e teve tempo de falar um pouco de sua breve carreira artística. Anotem aí, vai fazer muito sucesso pois suas letras tem alma, conteúdo e tocam no coração.
Conhecemos um Legionário, Marcelo Bonfá que falou sobre sua fase na banda, do término, da perda de seu vocalista, do processo movido pelo filho de Renato Russo e de sua paixão por cachaças. Foi bárbaro. Conversamos na ‘Mundo Verde do’ MAP – Américas 10.200. Ali também, conversamos com o ex-gordinho e agora ‘saradão’ André Marques. O André é tudo aquilo que vocês veem na TV e nas entrevistas só que agora mais magro e solteiro. Já viu, né?
Tá enfileirando. Da série de entrevistas bacanas e enigmáticas, separo a que fiz com John Travolta, no Buteco Tradicional. Vocês devem estar assim, como? Pois é, tudo começou quando Ricardo Mussauer, do Buteco, me ligou dizendo para não marcar nada para o dia seguinte e que me queria lá mas não podia falar nada para ninguém. Como a Madonna estava no Brasil pensei que fosse a diva do pop, mas assistindo ao Jornal da Globo vi o astro de hollywood no Fasano todo serelepe. Matei a charada. Fiquei o dia inteiro assistindo ao astro gravando comercial de cachaça Ypioca para espanto de todos. Simpático , gentil , solicito, nossa entrevista não foi do tipo -sentaí -John- e -me -conta dos- seus- projetos não. Ele passava por mim, eu perguntava algo e ele respondia. Passava de novo e perguntava algo e assim foi. Depois dei um relato de como foi passar a tarde com o protagonista de ‘Greese- Nos tempos da Brilhantina’ ou o vilão de ‘A Outra Face’. Foi nota mil.
Agora, no ano passado, conheci um ser humano, uma figura do bem , que se chama Jackson Antunes, o “Tio” de ‘A Regra do Jogo’. Esqueça aquilo que se vê na telinha da Globo, ele é exatamente o contrário. Doce, voz calma, atencioso, passamos uma tarde inteira em sua casa na Genaro de Carvalho, quase com Gilka Machado conversando sobre sua carreira e os problemas do bairro. No final fizemos selfies e comi pão de queijo feito por sua esposa. O máximo.
Da série duas capas , duas entrevistas distintas, destaco dois momentos com Kelly Key. A primeira entrevista, ela de cabelo chanel e preto, foi através de sua assessoria. Não que a assessoria tivesse atrapalhado, mas tive a sensação de que não foi ela quem escreveu aquelas respostas. Não tinha cara de Kelly Key. Na segunda, tivemos a colaboração de Aline Martins, nossa colaboradora que faz as nossas artes do jornal e amiga pessoal da artista, e assim passamos uma tarde gostosa no Cavalo Marinho uma sessão rápida de fotos.
Começar 16 páginas do nada, do papel em branco e sair impresso e ser distribuídos nas gôndolas dá muito trabalho e vamos continuar seguindo em frente na disciplina de mostrar o que há de melhor e pior no bairro, assuntos interessantes, personagens que vivem entre nós nos acrescentando, vivendo juntos . O papel do jornal é de informar , entreter e isso, acho que conseguimos .
O Jornal do Recreio é feito com carinho, dedicação, amor e muita vontade de acertar. Às vezes erramos, somos omissos por não estar em todos os cantos quando necessários e é por isso que contamos com a ajuda do morador nos incentivando, enviando material , sugerindo pautas , sugerindo matérias. O Jornal do Recreio é feito para você leitor e obrigado por estar conosco ao longo desses anos.








O que mais se escuta por aí é que os jornais estão acabando, o papel é fadado ao fracasso e vamos viver na era digital. De uma certa forma, sim. Ouvi também que o rádio ia acabar e taí até hoje. O mesmo vale para o vinil que ainda sobrevive para os amantes do som grave e chiado, mas o digital veio para acabar com o vinil , trouxe o CD e ele já está indo dando lugar ao streamming e ao download. Nunca se consumiu tanta música como hoje. Ouve-se na TV, na NET, no celular, no PC, tablets, enfim, o difícil é fazer o autor receber essa grana, já que ele produziu , compôs e tocou. E na notícia está mais ou menos assim, só que de uma forma imprecisa, mas as pessoas leem, pouco, mas leem. E os jornais gratuitos tem essa função, ainda. Passar informação de uma forma aonde todos podem ler.
Esse sonho de criar o JORNAL DO RECREIO veio de uma conversa despretensiosa com um amigo Luiz Marcelo, o Kikão. Me viu criticando alguns periódicos distribuídos na região e falei: Não entendo como as pessoas fazem jornalismo dessa forma, sem apurar nada, sem uma boa foto, sem checar. Os sufocos iniciais, como em qualquer novo negócio -sim isso é um negócio também – foram muitos e nos adaptamos às intempéries.
A escolha pela primeira capa não foi muito difícil, já que como assessor de imprensa do extinto Barril 8000, no Recreio, via artistas indo e vindo e um casal em particular me chamava a atenção. Fã de dublagem não deixei a oportunidade passar e fui solicitar uma entrevista a atriz e uma das maiores dubladoras desse país, Mônica Rossi, que hoje está em cena na novela “Eta Mundo Bom”, de Walcyr Carrasco. Mônica nos recebeu em sua casa e falou um pouco da sua profissão, dos sucessos, das tristezas. Foi um barato ouvir ali a Cachorra Priscila, do TV Colosso, Demmi Moore, Sharon Stone e muitos outros. Anos depois, essa paixão pela dublagem me fez procurar o ator Garcia Junior, que ficou famoso emprestando a voz ao He-Man e atualmente é a voz oficial do 007, Daniel Craig e de Arlnold Swartzenegger. Ao longo desses 6 anos , ouvimos muitos nãos e alguns artistas sequer falaram conosco, enviando respostas por email ou através de suas assessorias. Talvez por falta de tempo, ou por não querer falar mesmo ou simplesmente nem souberam que tínhamos solicitado uma entrevista. Afinal, como a maioria das pessoas tem uma assessor de imprensa, por sermos um jornal pequeno, eles nem autorizam. Foi assim, com Anita, Aline Riscado e outros que nem me lembro mais. Na verdade, foram poucos. Em geral conseguimos. Tivemos alguns peronagens que repetiram capas. Foi um previlégio ter o sambista e compositor Dudu Nobre em duas capas. A primeira falava de sua paixão por carros e na segunda quando ganhou o samba da sua escola de coração, a Mocidade. A ex-BBB(não gosto desse termo mas ela mesma se chama assim) Fani Pacheco foi uma das mais divertidas. Na primeira, ela falava de sua paixão por pintura, na segunda de Janeiro desse ano, conversamos na praia, mais precisamente no Cavalo Marinho além de ser uma mulher muito bonita e sem papas na língua . Tive que ouvir bem a entrevista gravada e selecionar alguns trechos porque muito do que foi dito não podia ser publicado .
Conhecemos também o Vinny, do ‘Mexe a Cadeira’ , que nos recebeu em sua casa, ali atrás do Prezunic e soubemos de seu desejo de terminar o mestrado em Filosofia. Adorei. O ex-morador do Pontões e ex-Trapalhão Dedé Santana foi um presente. Conversar com ele antes e depois da peça ‘Os Saltimbancos’, na Cidade das Artes foi delicioso. Ele é cativante e muito divertido. Às vezes conversar com alguém que fez parte de sua vida de alguma forma é meio estranho. Dedé Santana fez parte da minha infância e adolescência e de muitos que tem minha idade, 45. E conversar ali com o cara que me alegrava aos domingos não teve preço. O mesmo vale para duas capas com o meu ídolo Arthur Antunes de Coimbra, Zico. Na época, tivemos que fazer entrevista por telefone e por email, já que estava na Índia. Valeu a ligação internacional. Falamos com ele no dia 23 de Dezembro e tivemos que fotografá-lo junto com um batalhão de fotógrafos no dia do Jogo das Estrelas do Maracanã .


















