Morador do Recreio, Advogado dos Black Blocs, Jonas Tadeu Desabafa

Matérias - março de 2014

201403_materiadecapa01

A fala é mansa e pausada. O morador do Recreio há 23 anos , Dr Jonas Tadeu, recebeu o JR em seu pequeno escritório, na Avenida Balthazar da Silveira, no Centro Comercial que fica em cima da Padaria Rei do Recreio, sala 214, para uma conversa franca e esclarecedora sobre o casos dos manifestantes, denominados Black Blocks. Formado pela PUC de São Paulo atua nas áreas imobiliária, civil, de família e criminal, a que mais gosta, mas frisa que atua nas outras para poder manter o escritório. Utiliza as redes sociais e enaltece que seu perfil do facebook tem mais de 5 mil seguidores. Tomado pela compaixão diante da dificuldade em que os suspeitos Caio Silva e Fábio Raposo enfrentavam busca formas para que sejam desqualificados no crime de homicídio culposo que segundo ele, é um grande equívoco tanto da autoridade policial que investigou quanto o Ministério Público que acatou os resultados da investigação.

01) Como foi essa mudança brusca para o Sr. que tinha um cotidiano bem pacato aqui no Recreio e depois ganhou as capas dos jornais e aparecer no noticiário, mudou sua vida?
R: Continuo com minha vida normal. Falo com as pessoas pela manhã, tomo meu café, vou na lotérica. Tudo normal. As pessoas me abordam para falar sobre o tema. É normal. E a imprensa passou a procurar muito.

02) Li numa revista que segundo seus “colegas” de profissão” o Sr. é “vaidoso” e que gosta dos holofotes, como você encara essa colocação?
R: Nem um pouco vaidoso. Fui seminarista. Não devo nada a ninguém, não tenho grandes bens. Moro com minha família há muitos anos no mesmo endereço aqui no bairro. Isso é porque eu neguei ajuda de colegas de profissão, só isso.

03) O Fábio tem a mãe que mora aqui no bairro e parece que é amigo de um dos seus estagiários, foi assim que o Sr. se aproximou do caso?
R: Isso mesmo. O Fábio é amigo de infância do Marcelo, meu estagiário. A mãe dele é amigo lá de casa.

04) Já vinha acompanhando as manifestações, desde quando?
R: Só pela TV e jornais. Achei válido as que aconteceram em Junho, mas acabaram perdendo a mão. Perdeu o propósito maior.

05) Porque o senhor pegou os dois suspeitos, não é antiético?
R: Não há problema algum. O Caio não acusa o Fábio e vice-versa. Não estou cobrando os meus honorários. Ninguém acredita, mas já fiz isso outras vezes. Com funcionários aqui do shopping, pessoas que não podem pagar. Não pego vários casos por que se não sobrevivo, falta tempo. Um caso desses, se eles tivessem que pagar os honorários, seria algo em torno de R$ 500, 600 mil reais. Não existe conflito , repito. A delação premiada não foi para jogar o Fábio contra o Caio. Quando comecei a investigar o caso e chegar no Caio, eu vi a extrema pobreza em que ele vive, a miséria instalada ali. Foi por compaixão e eu falei que iria defende-lo. Não há incompatibilidade na duas ações. Aliás vocês fizeram tudo junto, disse aos dois. Se vocês mantiverem a mesma linha não há problema em fazer a defesas de vocês.

06) Ele estão no mesmo presídio ?
R: Não , estão separados. O Fábio inclusive pediu para ir para uma cela com mais duas pessoas, porque está sozinho e isolado.

07) Como é que o Sr. viu esse depoimento dado aos policiais sem sua presença?
R: Assim que o Caio chegou da Bahia ,não chegou capturado. Ele se entregou, se apresentou. Eu pedi a ele para que interrompesse a sua viagem para o Ceará, o que concordou, parando em Feira de Santana. Eu pedi que ficasse numa pousada e colocasse outro nome para evitar surpresas. Nós é que tínhamos que buscá-lo para evitar sensacionalismo. Nessas horas, muita gente quer aparecer. A namorada dele ajudou muito. A autoridade policial já sabe quem é você, falei. Se não fosse o Fábio também, a gente não chegava ao Caio. Então, eles não merecem estarem presos. Tem de estar soltos, precisam responder a esse inquérito em liberdade. Eles só colaboraram. Não oferecem perigo à sociedade. Tem até um parecer bonito que o Nilo Batista falou à CBN sobre o assunto (mostra o artigo) No site do jornal tem o link.

08) Nas redes sociais, tem tanto as pessoas que o criticam, como os que o aplaudem, como vê isso?
R: Os que criticam, aliás, boa parte é de advogados, já se ofereceram para auxiliar no caso, participar. Como houve negativa por minha parte, passaram a criticar. Outros acham que eu deveria preservar o cliente , o silêncio. Os clientes estavam sendo vistos pela sociedade como monstros, como inimigo número 1 do Rio de Janeiro e a imprensa é o quarto poder desse país. Falei para o Caio que tinha uma repórter junto, a Bete Luquese, da TV Globo e queria falar com ele. Disse que estaria se entregando a polícia e se quisesse mudar a imagem diante da sociedade, a chance era aquela. Orientei para não entrar em detalhes de como foi a ação e que só falasse em juizo. Mas aquilo que achasse que seria bom falar para melhorar a imagem dele, que falasse. Seriam outros olhos sobre a pessoa dele. Pôxa, após essa declaração, muitas pessoas viram quem ele era, um rapaz simples, vítima desse possível aliciamento em troca de um punhado de reais. Teve gente que até postou nas redes sociais para eu defender o rapaz. Isso nasceu dele mesmo.

09) Com o suposto telefone da Sininho ao seu estagiário, veio à tona o nome do deputado Marcelo Freixo, que está indignado com a associação do nome dele ao caso, como vê isso? Ele diz que o senhor tem outros interesses, obscuros, falou que já foi condenado e etc., o deputado já o procurou?
R: Nunca falei que foi ele que falou, não entrei nesse mérito. Eu nem compro os jornais. A Sininho ligou antes para a mãe do Fábio que estava sendo interrogado, momento tenso. A gente prestando atenção no depoimento dele, a discussão en-tre ele e o delegado sobre a capitulação. Aí, surge o telefonema da Sininho para o Fábio que passa para o Marcelo. Insiste duas vezes. Eu atendo. Eu me apresentei e ela disse estar ligando a mando do Deputado Marcelo Freixo. Aquela história toda. Em nenhum momento acredito que ele tenha mandado, acho até que foi feito à revelia dele. Foi até uma de maneira irresponsável. Nasceu essa confusão toda porque entrou no TERMO DE DECLARAÇÃO(na foto). Não tô preocupado. Não falei que foi ele. A justiça foi feita para os homens. Agora , ele tentou me desqualificar, porque eu fui advogado do Natalino na Assembléia, enquanto deputado estadual. Eu defendi o mandato parlamentar dele. Faço muito isso. Faço, contestação , impugnação, cadastramento eleitoral, defesa de impugnação de processos eleitorais. Duas ou 3 ações e umas 4 logo em seguida Depois eu me afastei e ele foi pro júri comum.

10) No caso do seu processo perdido (sobre a difamação) , pode comentar como foi? O Sr mencionou que ainda não pagou inclusive, de quanto é a dívida?
R: Foi bom ter tocado nesse assunto. Nunca respondi a um inquérito, nunca fui réu, nunca respondi a uma investigação criminal em delegacia, como falou o Jornal Extra. O que acontece é que publicaram um homônimo Jonas Tadeu Antunes Rosa. O único processo que tenho e perdi e é cível, que respondi em 22003, que está em curso e é decorrente de uma ação que indiretamente aponto um magistrado de ser corrupto, envolvido com corrupção. E há alguns anos ele é desembargador, moveu essa ação e perdi em primeira instância. Vieram os recursos e veio a execução e devo estar devendo uns R$ 400 mil. Não tenho condição de pagar e não sei como vai ficar isso.

11) Quando o Sr disse “miserável”, referindo ao fato do Caio que supostamente recebia dinheiro para participar das manifestações ficou indignado com o ato ou com a ligação dos políticos?
R: Miserável no sentido de miséria por que foi o que presenciei na casa dele. Fiquei indignado com o enquadramento feito pela autoridade policial e pela imprensa. No meu modo de ver, foi uma negligência, imprudência. Eles não tiveram reflexão o que poderia causar aquele artefato, irresponsáveis que acabou atingindo aquele repórter. Poderia ter atingido qualquer um ali, até eles mesmos. Porque o artefato depois de aceso vai em qualquer direção. O objetivo era uma autodefesa por causa das bombas dos policiais.

12) E sobre esse possível aliciamento desses jovens que recebem dinheiro de partidos (R$ 150,00) para participar dos movimentos?
R: Isso foi confirmado pelo Caio em depoimento no próprio presídio. E falou isso para a repórter em rede nacional. Queria que vocês da imprensa investigassem isso. Está desgraçando vidas . Precisa ser investigado esse aliciamento.

13) O Caio falou de nomes?
R: Sim, estão em depoimento e consta nos autos.

Pergunta do facebook Grupo Recreio do Bandeirantes

– Leonardo André -Se você foi constituído como defensor dos acusados, porque não os defendeu, e sim, os entregou? Deixou que fossem presos preventivamente, porém isto só pode ocorrer quando há possibilidade de fuga. Quem se entrega não tem esse risco. E quais foram as motivações das condenações em relação aos danos morais materiais e enriquecimento sem causa?

R: Entregar é o melhor meio de defesa. Entregar para quem está sendo procurado pela autoridade policial é o melhor meio de defesa. O nome é persecução policial. E o seu conceito perante às autoridades é outro e e´atenuante. Derruba uma prisão temporária, preventiva. (Mostra a entrevista de Nilo Batista à CBN e está no link do jornal e no facebook do Dr Jonas Tadeu.


Publicidade