Negócio de família sob nova direção no Recreio

Matérias - setembro de 2016

O ciclo da vida. Ninguém foge dele. Uns sofrem mais outros sofrem menos e alguns apenas mudam por completo. Aliás, o mundo muda toda a hora. E a região do Recreio tem modificado a passos largos. Nos últimos 8 anos, com a vinda do BRT, novos moradores e a duplicação das Américas, mais mudanças. Em especial acompanhamos essa família ligada ao universo de mecânica de carros.
Há cerca de 6 anos produzimos uma matéria com a família Laino que comemorava 27 anos na região ininterruptos de serviços prestados à sociedade local. Chegamos a entrevistar o cantor Agnaldo Timóteo, que deixou por anos seu carro com placa de Timóteo (MG) para um conserto que durou anos por falta de peças. No ano passado, presenciamos a despedida da família da Avenida das Américas após a exploração imobiliária tomar conta da via e o perfil mudar por completo. Poucos comerciantes sobreviveram no local aonde os veículos passam a 60 km por hora, no mínimo. Agora, somente farmácias, muitas, concessionárias, mercados fazem parte da decoração da via. Uns ainda sobrevivem.
E agora, uma nova mudança. Após anos juntos, o patriarca, Sr Enzo Laino, ‘italianão’ dos bons se aposenta e deixa o filho mais novo, Emilio Laino cuidar da oficina que deixou tantas alegrias a família. Funcionando na esquina entre o Santuário de Fátima e o CEMA, na curva do engarrafamento, Emílio se sente preparado para esse novo desafio:
__” No passado, as outras oficinas que não conseguiam resolver os problemas indicavam a mim. Esse tipo de negócio tem um certo parâmetro com o do médico. Tem uns que dão diagnóstico errado, não tem? Graças a Deus não custa uma vida, mas você fica com dor pelo menos. Com o carro tem um pouco disso, do cara ser mal atendido, levar um orçamento muito alto pelo serviço que foi feito e às vezes nem solucionado o problema é.”, lembra o pequeno empresário empolgado com o novo desafio, porém preocupado por estar só nesse momento difícil da economia.
Com a escassez de crédito, quem costumava trocar de carro a cada 3 anos, agora aposta na revisão fora da autorizada e estender um pouco mais o tempo com o veículo. Isso acontece quando ultrapassamos 50 , 60 mil Km e peças mais caras são trocadas, como pastilhas, correias dentadas e outros itens da injeção e bombas de combustível. Com relação à ausência de seus irmão nessa fase Emílio completa:
__”Meus irmãos decidiram fazer outras atividades, fora dessa área. Eu fico pelo legado de meu pai, pelos meus clientes , já que estou aqui há 22 anos pelo menos. E só sei fazer isso. Aliás passei boa parte da minha vida sujando a mão de graxa e resolvendo os problemas dos carros dos outros”, brinca.
Em 2005, com o boom do crédito automotivo, aonde se chegou a oferecer parcelas de 72 vezes, todo mundo queria um carro zero quilômetro. Por outro lado, os tempos são outros e esse cenário vai demorar um pouco segundo especialistas.
“A capacidade ociosa cresceu muito e, mesmo que ocorra uma recuperação do mercado, vai levar pelo menos uma década para o setor recuperar a plena capacidade”, diz João Morais, economista da Tendências Consultoria, especialista em setor automotivo. Ele lembra que o ambiente de insegurança afugenta o consumidor de bens de alto valor, como o automóvel. “O que o governo de Michel Temer precisa fazer é gerar um cenário de maior previsibilidade.”

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Só assim consumidores como Lucas de Paula Francisco Grespan, de 26 anos, conseguirão levar adiante o plano de comprar um carro novo. No caso dele, o Corsa 2001 não atende mais às necessidades da família, principalmente após o nascimento da filha Lauryn, há 11 meses. “Preciso de um carro mais seguro e mais confortável, com airbag e ar-condicionado, itens que o atual não tem”, afirma.
Ele fazia cotações de preço e de financiamento quando perdeu o emprego de motorista, há seis meses. Enquanto não consegue nova colocação, ajuda o cunhado em uma oficina mecânica, mas a renda caiu pela metade. “Não vou me arriscar agora e só vou atrás de outro carro quando conseguir trabalho com remuneração melhor”, afirma Grespan, que mora na casa da mãe com a esposa e a filha, disse em recente entrevista ao Estadão, jornal conservador de São Paulo. E isso tem a ver com a oficina do Emílio. Reforçando esses números o mercado brasileiro elevou para um patamar de vendas de 1,57 milhão de carros e caminhões em 2004 (um ano após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumir a presidência da República) para 3,8 milhões em 2012 (também um ano após a posse de Dilma Rousseff).
A partir de 2013, o mercado começou a regredir. Foram vendidos 3,76 milhões de veículos, volume que baixou para 3,49 milhões no ano seguinte e para 2,56 milhões em 2015. Recuperar o nível recorde de 2012 vai levar ao menos uma década, preveem analistas do setor automobilístico. De janeiro a abril deste ano as vendas caíram 27,9% ante igual período de 2015, somando 644,2 mil veículos. Assustados com o desemprego e com a confiança em baixa, consumidores desapareceram das concessionárias.
Para o Emílio, que agora se especializou por completo, é só arregaçar as mangas, afinal, oferece reparos em direção, injeção, suspensão, ar condicionado,freios e elétrica, higienização e até montou uma lava a jato com sistema de limpeza a vapor . Tudo para agregar ao seu negócio. O endereço é Rua Joaquim José Couto 40 – Recreio . Telefones 3624 4313 -3627 4313 e whats app 96445 2050.


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