A placa logo na entrada já é um aviso: proibido animais. E pelo visto, futebol também. Desafiando a constituição na questão do “Ir e Vir” com a proibição de cães e ao esporte em ano de Copa e Olimpíadas chegando, fomos conferir o porquê do abandono do espaço na Praça São Marcos, na Rua Henrique Laje. São cerca de 32 metros por 48 de extensão, dimensões dignas de aplausos se tratando de um terreno para o futebol, e principalmente, na Barra/Recreio. Dá tranquilamente para 9 jogarem de cada lado mais o goleiro. Mês que vem completa um ano no local a Academia da Terceira Idade, muito utilizada pelos mais experientes. Mas o futebol….
Procuramos na região em áreas públicas e só avistamos praças com quadras poliesportivas, pistas de skate e uma de areia de praia, muito utilizada por sinal, próximo à Padaria Nobreza, na Praça Mozar Firmeza. Fora isso, os condomínios administram as áreas de lazer para seus condôminos, dificultando a entrada, como é o caso do Novo Leblon, onde joga as quintas-feiras o técnico do Flamengo Jaime de Almeida. Numa das mensagens recebidas pelo jornal, um morador até em tom nostálgico lembra que lá tem até vestiário e grama sintética.
Nossa caixa de mensagens tem recebido há algum tempo inúmeros emails de moradores que pedem para que a administração do Bosque Barra Sul e a Prefeitura , através de sua Sub, revitalizem o campo que dá sinais de abandono, apesar de limpo. Por onde já pisou craques como Garrincha(que esteve em 1982 pouco antes de morrer), e escolinhas de futebol de Adílio e Vicentinho, craques do passado recente do Flamengo, os mais antigos sentem falta de uma qualidade no piso para evitar lesões. Anderson Martins e Pedro Laje moradores antigos lembram que passaram parte da infância ali e mesmo em condições já precárias guardam boas lembranças dos campeonatos que ali disputavam:
“Eu ainda era criança e tenho foto na casa da minha mãe no colo do Garrincha quando veio aqui num torneio patrocinada por uma rede de assistência médica”, lembra Anderson de 32 anos, morador do Barra Sul. Já Pedro, que sempre jogou descalço, mostra que é um contra-censo o país do futebol não dar assistência à prática do futebol, pelas autoridades locais.
__”Se fôssemos uma Copacabana até entenderia. Aquele monte de prédios e não há espaço para uma mosca, mas aqui, temos o espaço e nada acontece”, frisa.
De fato é que o Bosque em dias de céu nublado dá até medo de entrar tamanho é o silêncio e o mato denso que chega a encobrir as torres de iluminação colocadas pela Rio Luz. Nos dois dias em que estivemos no local, alguns jovens permaneciam ali fumando maconha em plena luz do dia. Do ponto de ônibus que fica em frente não dá para ver o campo e as pessoas ali nem sabem da existência dele. Contamos 13 formigueiros e num dos gols parece que uma grama foi colocada parcialmente, mas ficou um tabuleiro de damas. Fomos a Secretaria de Urbanismo e vimos que o terreno que antes era comercial foi desapropriado em 11/12/2001, pelo então Prefeito Cesar Maia por Decreto 20.857 e inaugurado logo em seguida . Desde então é administrado pelo Condomínio Geral do Barra Sul. O síndico Antônio Carlos da Silva nos procurou afirmando ter toda a documentação e afirma ter RGI do terreno que foi tombado em 1998 sob Portaria 981 em 02/12. O Sr. Antônio lembrou:
__” Isso aqui era um terreno baldio. Eu plantei 50 mil mudas e cerquei o campo. Meninos da Beira Rio é que arrebentaram as grades para correr atrás da bola e aí, proibi. Com o que arrecado no condomínio(R$ 30) por apartamento não dá para administrar o bosque inteiro . Eu quero é ajuda. Sou a favor do esporte. O Jornal do Recreio não quer pagar um boleto para nos ajudar?”, enfatizou. A Sub Prefeitura, através de sua assessoria, informou que está verificando a situação e vai dar um parecer na próxima edição.







