O calor não deu trégua nem pro asfalto

Matérias - fevereiro de 2014

Quando o BRT foi inaugurado há cerca de 1 ano e meio , o asfalto avermelhado dos ônibus articulados foi anunciado como mais resistente e especial para receber grande tráfego de veículos pesados. Mas não resistiu ao seu segundo Verão e sucumbiu a buracos e deformações. Antes da Secretaria de Obras realizar o recapeamento , percorremos toda sua extensão até o túnel da Grota Funda e verificamos várias imperfeições. A equipe de tapa-buracos foi acionada a primeira vez e resultado foi pior. O local mais danificado fica próximo à estação Gláucio Gil, onde passageiros reclamam dos desníveis na pista, como consta em entrevista ao Extra no início do mês passado:

–” Há um ano, o asfalto era lisinho, o ônibus nem mexia. Agora, pula demais. Ontem, até bati com a cabeça no teto – conta a secretária Elisabeth dos Anjos, de 44 anos, que usa o BRTdiariamente para ir de casa, em Campo Grande, ao trabalho, na Barra. Uma das causas das dobras pode ser o calor dos últimos dias, que aumenta a temperatura do asfalto e o torna mais flexível. O engenheiro de transportes e professor da UFRJ Giovani Ávila explica que a alta temperatura do asfalto, atrelada ao atrito produzido pela frenagem dos pneus e ao peso dos veículos. O asfalto avermelhado ainda não é produzido pela Usina Antônio Ramos, no Caju. Porém, o atual que foi colocado na via, sim. Segundo a Secretaria Municipal de Obras,  esse piso é fundamental para esse tipo de  tráfego e suas possíveis falhas estão sendo estudas. O jornal percebeu que na Transcarioca o piso utilizado é outro, concreto. Perguntada se isso seria reflexo da má formação na TransOeste , assessoria informou por email:

__” O SMA(asfalto alaranjado) tem muitos benefícios, como por exemplo permitir a rápida liberação da via – fundamental no sistema de BRT para que os ônibus possam continuar operando na pista exclusiva -, já que é aplicado a frio. A opção por usar SMA na Transoeste foi exclusivamente técnica. O solo da região é mole, portanto um pavimento rígido como o concreto teria que ser precedido pela implantação de lajes em toda extensão da via, inviabilizando a obra. Na região da Transcarioca o solo é diferente e a melhor opção é o concreto”, completou.

Em agosto de 2012, um mês após a inauguração do BRT, o asfalto vermelho utilizado em alguns trechos apresentava desgaste. O piso estava desbotado em frente às estações Salvador Allende e Benvindo de Novaes. Já em janeiro de 2013, o túnel da Grota Funda foi interditado e teve de passar por reforço estrutural. Em abril, um laudo da Coppe/UFRJ revelou que um trecho do BRT próximo ao Centro Tecnológico do Exército corria o risco de se romper.

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