PAPAI JOEL ESTÁ DE VOLTA TREINANDO O BOAVISTA NO CFZ

Matérias - dezembro de 2016

O futebol cada vez mais chato, cada vez mais engessado, com as mesmas entrevistas e declarações sentia a falta de um pouco mais de tempero. Faltava um pouco mais de Joel Natalino Santana, 68 anos, recém completados numa data bem especial, 25 de Dezembro. O ‘Papai Joel’ assumiu no início do mês passado o Boavista para a disputa do campeonato carioca. Trouxe com ele dentro da sua mala, o amigo de faculdade e de início de carreira, o preparador físico Antônio Mello, os ex-rubro-negros, goleiro Felipe, o zagueiro Renato Silva e o meia Fellype Gabriel, de 31 anos, além de uma garotada nova doida para aprender com o mais divertido técnico, disparadamente, que atua no país.

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Treinando em dois períodos no CFZ – Centro de Futebol Zico -, no Recreio, enquanto todos os outros jogadores tiram férias, Joel junto com Mello vão preparando a equipe que estreia curiosamente contra o Flamengo, dia 29 desse mês, na Arena Luso Brasileira, na Ilha do Governador.
Fomos algumas vezes a casa do ‘galinho’ no calorento Dezembro e notamos que ‘Papai Joel’ é como se fosse um artista consagrado da música que faz show quando quer. Como ali é um centro de atividades amadoras, vários garotos ficam ao redor do treinador e ficam ouvindo suas inúmeras entrevistas e tentando captar algo. A velha prancheta está lá. Após dois anos longe dos gramados Joel vê ali uma oportunidade de seguir na vida de treinador em franco processo de reciclagem. Ali é seu habitat e ele mesmo diz não ter vocação para sofá. Morador de Copacabana, sentiu grandes diferenças no trânsito da região após as obras de infra-estrutura e do BRT. Joel treinou Vasco e Flamengo na década passada, no centro que ficava atrás do Shopping Bandeirantes e também no Ninho do Urubu (2009 e 2012). Curiosamente foi dessa vez, no Boavista, que ganhou mais mimos, como estadia permanente no hotel RAMADA, no Recreio Shopping aonde descansa e faz suas refeições. Nada mal. Autodenominado como ‘Rei do Rio’ onde ganhou títulos pelos 4 grandes, passagens pelo exterior e uma emblemática entrevista em inglês atuando pela seleção da África do Sul recheada de sotaque o elevou a categoria máxima de ‘memes’ nas redes sociais que lhe rendeu até uma boa grana em 2013 como garoto propaganda da ‘Head and Shoulders’ na TV fazendo propaganda de xampu. Joel não quer mais a TV, ele quer os gramados. Fala professor:
1) Você e o Antônio Mello, preparador físico, se reencontram após anos. Estudaram juntos na faculdade e início de carreira, como é isso?

R: A dupla é cheio de êxito. Aprendemos juntos. Trabalhamos no exterior, na Arábia Saudita por um bom tempo por 2 ou 3 clubes lá. A gente sai no pau toda hora por isso o trabalho é perfeito e dá certo. Temos sintonia. Não é à toa que estamos até hoje aí, fazendo algo que dá resultado, apresentando um bom futebol.

2) Aqui é bem quente no CFZ. Na Arábia, era mais quente?
R: Muito, mas muito mais. E a noite é bem frio, uma coisa de doido. Aqui em Dezembro tá calor, lá tá frio. E o frio e o calor do deserto são os piores que tem e muita poeira.

3) O Renato Gaúcho disse que futebol é igual a andar de bicicleta. Zico disse que não tem o que aprender sobre o futebol e ‘Papai Joel’ precisar estudar ?
R: Cada um é da sua maneira. Eu não tô nem de um lado nem do outro. Eu tô no meio. Eu assisto muito futebol e não se esquece. Cada time se adapta a um jeito de jogar. Não adianta é trazer técnico de fora que tira a canetinha e bota no papelzinho achando que é supra-sumo e pegam a prancheta do Joel e aposentam. Mandaram eu passar para tablet. Isso e computador eu tenho em casa .

 

 

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Eu gosto de anotar as coisas, vou conhecendo meu jogador aos poucos. Vou me adaptando. Eu me preparei antes de ser treinador. Trabalhei 5 anos na base antes de pegar a principal. Eu acho que enaltecem muito o treinador estrangeiro e depreciam a gente. Eu anoto tudo. Para você pode estar tudo bem por aqui, mas para mim não. Eu posso ter reparado sobre o gramado ou do bastidor que pode atrapalhar meu atleta. E aqui é a extensão da casa dele.
4) Por isso te chamam de ‘boleiro”?
R: A imprensa gosta de chamar de ‘família Santana’.
Pra ser família temos que saber respeitar o comando da coisa. O comando começa aqui. Nessa categoria que eu entendo bastante, eles precisam de um educador e não um treinador. E pro outros mais experientes a gente tem que lapidar aquilo que não está bom nele.
5)Você tem vários estaduais no currículo e os críticos acham que esse formato atual não cabe mais?
R: Sou um romântico . Para mim é mais charmoso torneio do mundo. Agora, tá curto até demais. Tá tiro curto, mata-mata. Sou do tempo de turno, returno e terceiro turno. De um lado, Roberto, do outro Zico, Junior, Jairzinho…Nesse, cada jogo é uma decisão. Você disputa 5 jogos, tem que ganhar 3 e empatar um para ir a 10 pontos. Com dois grandes jogando, olha como fica.
6) Você jogou contra o Zico
eu muita canelada nele?
R: Não só nele, em muita gente. Eu era zagueiro-zagueiro, duro, se é que me entende, mas sem ser desleal. Mas nada que vale retrospectiva no fim do ano, com melhores momentos(risos)

7) Você veio à Barra-Recreio no início dos anos 2000 treinar Vasco e Flamengo, depois volta 10 anos depois em 2009 e 12 e agora em 2016, sentiu diferença no trânsito?
R: Uma obra divina, de Deus. As ruas estão melhores, mais limpas e espaçosas. Esse governo que saiu pelo menos fez algo pela região.

O trânsito está muito melhor. Para eu passar de lá para cá era desgastante. Eu deixava meu carro na Gávea e vinha no ônibus. Hoje dá prazer vir aqui. Venho pela praia até o final vendo a vista.

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8) Mudando para gastronomia , vi você uma vez com o Marquinho da Toca da Traíra, você lá no fundo da loja contando suas histórias, vai poder voltar a fazer isso aqui.

R: O Marquinho é um cara fantástico, com uma história fantástica de vida. E aquele peixe dele com aquele vinhozinho sulafricano é dos deuses. E afinal, quem não gosta de ouvir as histórias do ‘Papai Joel‘ aqui. O futebol me proporcionou isso, visitar países fantásticos, conhecer culturas e pessoas interessantes. Fiz boas amizades. Olha que maravilha estar aqui na casa do Zico, o eterno ‘ galinho de Quintino’, uma honra.
9)(PARA ANTÔNIO MELLO), Além de morador do bairro você tem uma ligação antiga com a região?
R: Olha, se eu te falar que venho ao Recreio desde 1962, acredita? Vinha acampar, pegar praia, aliás, morei no camping durante muitos anos no início da carreira. Hoje moro aqui perto da Gláucio Gil, malho na Smart Fit e venho trabalhar aqui no CFZ feliz. Isso é qualidade de vida. Agora, vi o bairro se transformar por completo né? Coisa de doido. Passar aqui nas Américas hoje duplicada, não é nem a sombra do que era aquela via estreitinha de antes. E a Gláucio Gil de terra batida? Hoje, tá muito melhor, mas tenho saudades daquela época.

10) Você morou na Arábia Saudita, viajou pelo mundo junto com Joel e Vandelei Luxemburgo, porque o Recreio?

R: Olha parece comum falar isso, mas a junção do mar com a montanha eu só vi aqui. Na África do Sul, tem até algo parecido, mas a nossa floresta em cima da gente, não tem igual. Não é à toa que escolhi como lar.

comercial do xampu com Pelé, o ex-goleiro Marcos e Joel Santana

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