
O vendedor da loja Rio Harley no Recreio mais conhecido como Lula está sem trabalhar há 3 meses. Em processo de recuperação de um acidente grave na Avenida das Américas está prestes a entrar novamente numa mesa de cirurgia para implantar pinos e parafusos. Poderia ser um acidente comum de motocicleta envolvendo esse trânsito caótico do Rio de Janeiro. Mas esconde um problema grave que apresenta novos protagonistas a cada dia.
Lula foi literalmente atropelado por uma motorista que estava dirigindo e mexendo no seu celular ao mesmo tempo. Ele estava parado retornando de um dia exaustivo de trabalho e foi abalroado por trás. Perna quebrada, prejuízo material e emocional foram para a conta. A motorista fugiu, mas tempos depois foi reconhecida através de câmeras de segurança. Com aumento do número de motos e o vício de dirigir olhando ao celular tem causado muitos acidentes. Essa ação já figura como segundo componente mais importante para acidentes, segundo levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF). De janeiro a julho deste ano, das 7.471 batidas e atropelamentos registrados nas BRs, 2.346 (31,4%) foram causados pela falta de atenção dos motoristas, perdendo por pouco para o excesso de velocidade.
Por aqui, das 10 vias mais perigosas do Estado, 4 são na nossa região: Américas, Lúcio Costa e Ayrton Senna. Em seguida já figuram Estrada dos Bandeirantes e Benvindo de Novaes.
O cirurgião Ortopedista Wilde Mundy Jr há 12 anos atendendo na emergência do Lourenço Jorge diz que esse número só aumenta:
__”Olha, tenho 20 anos de formado e estou há 12 por aqui na emergência.
Os acidentes eram só de carro. E como não tinha sinal e retorno era só batida feia e as lesões eram muito buxomaxilo facial porque não existia obrigatoriedade de usar cinto de segurança e os carros não tinham air bag. Esse hospital foi criado para isso. E tíbia, fêmur e fíbula é o rock and roll de acidentes de moto, além de fraturas de braço e punho. Com a crise, as pessoas passaram a ter moto’, explica o médico.
Dirigir e usar celular ao volante é uma infração de gravidade média (saltou de R$ 85,13 para R$ 293,47). Estudos recentes apontam que em 4 segundos olhando somente o celular o veículo percorre 60 metros. Não dá para abrir um aplicativo, mas suficiente para atropelar uma pessoa. Atualmente, os aparelhos chegam a quase 300 milhões, tecnologia que não só aumentou em quantidade, mas também ampliou as possibilidades de uso, com destaque para o acesso às redes sociais. Esse número é tão assustador que dá mais de um aparelho por pessoa.
A desatenção do motorista é tão evidente que fica nítido quando chega a noite e iluminação da tela do celular clareia o interior dos veículos. O país aparece em quinto lugar no ranking mundial de mortes no trânsito. Uma boa parcela deste indicador é resultado de práticas ruins de motoristas e pedestres. Apesar de bem sinalizado, os pedestres insistem em atravessar pelo meio das Américas em direção às plataformas do BRT. Em dias de trânsito pesado, os motoristas trocam de faixa sem olhar direito e esquecem das motocicletas que trafegam no corredor.




