Sem pestanejar podemos dizer que o surf é esporte de Rico. De Rico de Souza, 64 anos, que não cabe em si de tanta alegria. Na verdade Ricardo Fontes de Souza, pai do Patrick(17 anos) e do Erik (28), casado com a Claudia está aqui na região há cerca de 50 anos. Veio morar na década de 70, em Vargem Grande e passou um curto tempo na Gláucio Gil. Viu o crescimento desordenado do bairro que para ele seus prédios não deveriam ter mais do que 6 andares. O surfe se confunde com a história de Rico e o agora embaixador do esporte nem acreditou quando o presidente do COI, Thomas Bach, anunciou que o surf estaria nos Jogos Olímpicos de 2020 em Tóquio, junto com o skate, a escalada e o Karatê. Isso já é lucro para esse atleta e empreendedor. Aquele jovem que correu da polícia para poder surfar numa prancha de madeirite,e que foi chamado de vagabundo e maconheiro, não imaginava que aquele esporte que acabara de conhecer se tornaria um modalidade olímpica.
Apaixonado pelo esporte dividiu sua atenção e amor pela natureza. Preservou, cuidou , chamou a atenção. Ganhou títulos brasileiros, mundiais, fabricou pranchas, organizou campeonatos, bateu recordes. Sempre esteve numa crista da onda, ou pelo menos, se esforçou para estar nela. Surfou a maior prancha do mundo, colocou o maior número de surfistas numa mesma onda e carregou a Tocha. Rixo não para e quer mais . Agora, é focar em Tóquio. Não há momento melhor, além de ser celeiro de bons atletas, o surfe nunca esteve tão bem representado com 5 brasileiros no principal campeonato do mundo, o nosso dream team ou Brazilian storm.
01) Você imaginava que o surfe iria se transformar num esporte olímpico?
R: Olha, eu comecei a surfar nos anos 60, em 1964, com prancha de madeira. Quando fui a Califórnia, em 1972 , e depois no Havaí, eu sabia que o esporte iria crescer absurdamente.. Mas não enxergava como esporte olímpico. Mas no Panamericano, eu levei o presidente da federação Marcos Conde, pra ver se eu conseguia colocar o surfe como demonstração, principalmente, com a ISA (International Surf Association) e começamos a trabalhar nesse sentido. Aí, era só um processo burocrático. Eles já tinham a intenção de convidar esportes que tinham um grande envolvimento dos jovens. E o surfe está nesse contexto. Foi uma conquista de todos.
2)Na sua opinião , porque o surfe foi escolhido como esporte olímpico e outros que estão há mais tempo na fila não entram, como o Futsal?
R: A principal razão pra mim é porque faz sentido o surfe ser praticado por jovens e velhos em todos os continentes. Temos praias no mundo todo, adorado por todos! O COI gosta dessa atração, da inclusão social, o próprio Mineirinho, a Silvana Lima… A menina do Judô(Rafaela) que veio do trabalho do Flávio Canto… O surfe é democrático. Quando se coloca o calção, o CEO da empresa ‘x” é igual ao boy da mesma empresa que estiver no mar junto com ele. Ele tem também o apelo de preservar a natureza. Todo mundo quer ver a praia limpa, a água clara , isso também contribui para o desenvolvimento social e ambiental.
3) Como você vê o futuro do esporte agora nos próximos 4 anos?
R: Acho que agora, começa a parte de estruturar o esporte. O ISA vai ter que de alguma forma se organizar com a WSL, que detém os tops do mundo para ver como será essa participação. Porque a ISA é quem fica com os atletas amadores. O COI quer ver os melhores do mundo, né? Precisam chegar a um acordo. É igual ao Tênis. Igual. Veja que os Top do Tênis, Nadal, Federer estão sempre nos Jogos Olímpicos.



4) E daqui a 4 anos vai estar no Japão?
R: Eu acho que o surfe está bem estruturado na parte de cima, com a WSL. O Brasil está num momento único. Isso daí é muito importante. Porém, toda cadeia pra baixo, desde as escolas de surfe por todo o país, precisam receber investimentos e desenvolver uma escola de competição, como eu mesmo já fiz na minha escola. O Phil começou comigo e foi campeão mundial, a Cloé Calmon, é atleta de ponta; o Deka era de comunidade carente do Recreio e tinha dificuldades financeiras. Eu ajudei, dei cesta básica, se tornou exemplo, campeão estadual, brasileiro, uma etapa do mundial. Consegui que o COB arranjasse um visto para ele, uma companhia aérea, tudo isso precisa ser feito e fazem diferença. Tudo isso tem que estar linkado através das federações e confederações. E também , os governos estaduais e federais para termos sempre uma leva de Medinas e Mineirinhos a cada praia surgindo por aí. Agora, estarei sempre torcendo pelo Brasil, só não me vejo a frente do processo. Eu prefiro estar por trás, no conselho.
5) Você montou o quiosque numa época que ninguém queria falar sobre o Recreio? Como você vê esse Recreio com 4 pistas, bares , prédios altos, restaurantes, 100 mil habitante?
R: Quando desejei ter um quiosque na praia do Recreio, não existia nada lá. Não tinha consumo, não tinha prédio, mas enxerguei que a Macumba era privilegiado com relação às ondas, devido ao vento leste que traz as ondas boas e lá é muito consistente, com frequência. Desejei meu point ali. Já tinha essa visão.
6) Hoje a gente tem 4 grandes atletas no TopTen. E isso é raro. Você acha que é um fenômeno ocasional , assim como foi o Guga no tênis, ou entramos para a prateleira de ciam do esporte em definitivo?
R: Eles se afirmaram tanto nas onda pequenas, as Beachbreaks, como pegam as grandes, as manobras modernas, os aéreos e os tubos, tanto nos picos grandes, como Pipeline, por exemplo. Mas é muito importante é ter o trabalho de base pelo país inteiro. Melhor gestão nas associações , confederações, em toda essa corrente. Mas os atletas estrangeiros que estão lá já estão há muito tempo competindo, como Mick Fanning e o Kelly Slater e já não estão tão empolgados assim e estão na fim da curva profissional. E esse momento é ideal para surgirem novos valores.


Serviço:
Local – Posto 4 – Barra da Tijuca.
Data início: 20 de outubro.
Período do curso: 04 aulas ( com 1h30min ,dias 20;21,27 e 28 outubro)
Público alvo: Surfistas iniciantes, com alguma experiência. Pranchinhas e Longboard.
Aulas Práticas e teóricas:-Posicionamento no pico.-Entrada na onda. Manobras – Drop, cavada, Batida, cut back , tubo e outras. Obs: O andamento da aula será de acordo com as condições do mar.Valor: R$ 200,00
Inscrições: zerobertosurf@hotmail.com, Cel: (21)98777-7775.
Praticantes de SUP com alguma experiência.
Início: Imediato Dias: Quarta e sexta. (08:30 ás 10H) – Duração : 1h30min. Barra (Praia – Posto 4 e canal de Marapendi). Conteúdo: Aula de preparação física e prática com SUP.Valor : Pacote de 05 aulas , R$ 350,00 – Aula avulsa – 80,00 Inscrições:zerobertosurfe@hotmail.com Cel:(21)98777-7775.




