Ele passou anos tocando em bares. Passou mais algumas temporadas acompanhando artistas como Paulinho Moska e abrindo shows do Nando Reis. Já ganhou prêmio individual como melhor guitarrista e em 2009 criou sua própria banda, a SURICATO, que lhe rendeu o sobrenome profissional. Ali pode exercer sua sensibilidade nas melodias e letras e desafiar acordes em canções com suas assinaturas. Nasce uma marca. Atento a novas experiências, foi participar como músico na banda do The Voice até que conheceu Lulu Santos. Fez uma linda releitura da música “Um Certo Alguém” que fez com que o próprio autor a utilizasse nos shows.
Ganhou clipe e uma participação no primeiro Superstar da mesma emissora. Ficou em quarto lugar chegando a final. Mas a vida iria proporcionar novas emoções mais a frente. Canção tema da novela das 6 – Sol Nascente – lhe rendeu um público ainda maior com ‘Um Tanto’ – maior ainda que uma versão mais rock em ‘Êta Mundo Bom’. Eis que em janeiro deste ano após uma bem sucedida turnê com Paula Toller, Nando Reis entre outros nasce um convite que o pegou de surpresa: vocalista de uma das maiores bandas de rock em atividade no pais, BARÃO VERMELHO. Em tempo que o chapéu e a calça justa ditam o ritmo do país com baladas sertanejas, o Brasil vai passar a ver um outro chapéu nos palcos na turnê de 35 anos do BARÃO VERMELHO. Um papo rápido com RODRIGO SURICATO NOGUEIRA, agora mais Vermelho do que nunca:
1) Como surgiu o convite? Vi que o tecladista te chamou e marcaram um som e você de cara sabia 19 canções, é isso?
R: Isso. Liminha, o produtor, me convidou para uma banda formada apenas por artistas num projeto chamado Nívea Rock Brasil, onde dividia o palco tocando e cantando com o Nando Reis, Paula Toller, Paralamas, Dado Villa Lobos e o Maurício Barros tecladista do Barão. Fiquei mais próximo dele e mostrei uma versão que tinha feito para a canção ‘Flores do Mal’, um lado ‘B’ do Barão. Ele gostou e mandou para o Guto Goffi. Eram mais de 150 mil pessoas a cada show desse projeto onde eu praticamente dividia o repertório com o Nando Reis, por exemplo. Esse destaque deve ter encorajado ele a fazer o convite. Fizemos um ensaio no final do ano passado e saíram 19 músicas de cara. Sei tudo de Barão Vermelho.






2) Quantos ensaios até a estreia da turnê?
R: Acredito que pelo menos uns 10 ensaios. Mas em 3 já temos 16 músicas prontas
3) Qual música do Barão você mais gosta?
R: No momento estou muito feliz de tocar “Tão longe de tudo”.
4) Lembra das primeiras que aprendeu a tocar na noite?
R: O disco “Barão ao vivo” foi minha porta de entrada pra gostar do grupo.
5) Suas canções tem um ‘q’ poético’, além de lindas melodias. O Barão é mais chute na porta, se é que me entende, ”ROCK’ , como está sendo essa experiência ?
R: Obrigado. Como compositor acho que é um território maravilhoso para explorar. Já fiz 3 canções novas que são a cara do Barão e creio que não encontrarei muita dificuldade de me expressar nesse território Rock’n Roll pois ele também faz parte de mim. A vida sempre alimenta a composição.
6) Como foi a mudança do tranquilo Recreio para o caos da Barra, curtindo?
R: Com o crescimento do Recreio ficava muito tempo no transito apenas pra sair do bairro. Tô adorando a barra e resolvo a vida de bicicleta, mas confesso que só saio de casa para ir ensaiar ou ir para aeroporto.
7) Conte algo que eu não saiba? -Parafraseando a sessão da página 2 do Globo...
R: Quando era criança e estava aprendendo a tocar, usava a música “Flores do Mal” para ganhar as garotas dizendo que era de minha autoria. Mentirinha de criança, logo desmascarada. Foi a
mesma música que fez o Maurício Barros ter o click de me chamar. Coincidência? (risos)
8) Como conciliar as agendas do SURICATO e Barão/ ? Causou ciúmes aos integrantes ?
R: Tenho um empresário muito competente, o Luís Felipe Couto, que é muito bom de planejamento. Acredito que a gente consiga conciliar o objetivo de cada projeto. Sobre ciúmes, nosso baixista Raphael Romano curtiu bastante e deu a maior força. Os outros não estavam mais na banda quando surgiu o convite.
9)A MPB FM deu adeus ao dial, como você enxerga esse afunilamento da música no país, aonde só um estilo predomina?
R: Eu acho que tudo mudou tanto que os parâmetros comparativos não são mais convenientes para se fazer um balanço. Vejo que cada estilo se faz popular numa determinada época. Já foi assim com a bossa nova, o rock, pagode, axé e agora o sertanejo organizado e milionário. Não ligo muito pra isso pois consigo escolher exatamente o que quero ouvir e ver. Grande parte dos hits de hoje eu jamais escutei. É como um universo paralelo da qual tenho muito orgulho. Antes era pior pois não havia internet e somente 6 canais de televisão, isso sim, era um tédio.

10) Quando ouvi “Um Tanto” logo vi ali uma trilha embalando dois personagens numa novela e não deu outra. Você tem facilidade de fazer hits?
R: Não acho que minhas canções sejam hits. “Um tanto” praticamente nem tem refrão, o que para os parâmetros de música pop é um tiro no pé. Tô tentando compor cada dia melhor, o resto é consequência.
11) Com a aproximação no universo Barão, virão canções mais nessa linha?
R: Nunca compus para o guitarrista que sou. Acho que isso será bem interessante agora. Tô doido pra fazer música com eles
12)Como foi a troca do Recreio pela Barra?
R: Adorava morar no Recreio e foi fácil me adaptar à Barra da Tijuca. Continuo perto da natureza e fazendo tudo a pé, algo plenamente possível de se ter nos dois bairros. Vou tentar morrer por aqui, tô bem feliz onde moro.




