Sandro Gomes, filho de Mussum, lança cerveja junto com biografia

Matérias - junho de 2014

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Ele nunca quis seguir os passos do pai. Aliás, do pai herdou a simplicidade além da grande semelhança. Sandro Gomes tentou ser jogador de futebol nos Estados Unidos e trabalha hoje no mercado de óleo e gás, mas por pouco tempo. Prestes a lançar mais um produto (uma cerveja) com a marca do personagem que arranca sorrisos até hoje 20 anos depois: o de MUSSUM. Ele é um dos cinco filhos de Antônio Carlos Bernardes Gomes, um verdadeira Trapalhão, gente boa que virou febre na internet, estampa camisas de grife por aí e é sinônimo de muitos dividendos. Sandro nos recebeu no Quiosque Cavalo Marinho para uma conversa bem divertida . Contou como foi sua vida , dos seus projetos e do outro lado que poucos conheciam, o de pai presente. A marca MUSSUM está tão em alta e não param de surgir Memes na internet(uma espécie de ideia que se propaga como um vírus), como o da presidente Dilma ou o do Chuck Norris com a face do comediante. Além disso, gera lucro. A marca de roupas Reserva também paga direito autoral para ter a figura de Mussum em suas camisas. Sandro montou junto com os amigos, no ano passado, a BRASSARIA AMPOLIS e lançou no mercado a cerveja Biritis. E ainda esse mês chega outra cerveja, talvez mais popular , uma pielsen, com nome não divulgado, mas não pode ser nada que não seja Ampolis, ou Mezis ou Cervejis, certo? A “mussummania” é tão grande que o jornalista Juliano Barreto não resistiu e se encantou com a história do Sr. Antônio Carlos que tocava reco-reco ,quando num bar, viu uma capa de um vinil do Mussum a frente do grupo “Originais do Samba”. Nem ele sabia que o Kid Mumu era músico, e dos bons. Vejam:

1) Por que você acha que mesmo depois de 20 anos seu pai é tão reverenciado?
R: Primeiro, por causa da internet. Meu pai era muito simples como ser humano, amigo. E quem conviveu com ele sabe. Ficou aquela imagem bacana. Personagem e pessoa eram quase os mesmos. Claro, que o Mussum era caricato, mas tinha um pouco do meu pai.

2) E a febre, como surgiu esse boom em volta do personagem MUSSUM?
R: Há uns 3 anos, acho. Surgiram aqueles Memes (mensagens que se propagam pela internet). Surgiram vários e muitos engraçadíssimos. Cheguei a ser convidado para ir na Ana Maria Braga para explicar o fenômeno e dizer o que achava. E te digo: fico muito feliz porque são feitos com muito carinho.

3) Algum que você goste em especial?
R: Olha o da Dilma que saiu por aí “Dilma Roussevis” ficou muito engraçado.

4) Você chegou a conviver com ele?
R:Convivi até meus 17 anos . Muito presente.

5) Brincalhão em casa?
R: Muito, mas do jeito Antônio Carlos e , não do Mussum. Tinha mania de nos dar sustos. Sabe aqueles barulhos de explosão? Fazia muito. E tinha uma mania de fazer barulho de fantasma. Ia para o terraço e fazia o som tradicional búuuuuuu. Eu morria de medo.

6) Li que ele era sério em casa, verdade?
R: Sério, não. A palavra melhor seria rígido. Cobrava notas na escola. Essas coisas, mas perguntava a dos meus amigos também. Um bom pai.

7)Guarda alguma história engraçada?
R: Ahh….são tantas…Mas como estou aqui na praia do Recreio me lembro do tempo que íamos para Angra dos Reis onde tínhamos uma casa. Ele chegava no Ruas(único comércio que tinha nas Américas próximo a Benvindo de Novaes) as 10 H e só saía as 17H. Isso porque dizia que ia parar para comprar cigarro. E ficava… isso rendia o dia inteiro. (risos) Eu tinha uns 5 anos e lembro muito bem disso.

8) Ele tinha alguma relação com Barra ou Recreio?
R: Além dessa, gostava muito da Praia da Barra e de comer peixe em Guaratiba. Adorava uma moqueca de uma daquelas Tias de lá. Ele dizia que aquilo era que era moqueca.

9)Você toca algum instrumento como seu pai?
R: Eu toco todos os instrumentos de percussão, mas gosto de caixa e surdo de terceira. Criei um Bloco de Carnaval em Jacarepaguá que sai todo ano: EMPURRA QUE ENTRA. Já estamos com quase 10mil pessoas no ensaio.
10)Você tem contato com seus outros 4 irmãos?
R: Sim. Com todos . Nos vemos sempre.

11)Assim como o personagem Cadu, do Gianechini, de “Em Família”, seu pai fez um transplante de coração. Se fosse nos dias de hoje, acredita que teria sucesso?
R: Foi papai do céu que chamou mesmo. Papai estava trabalhando muito naquela época e já dava sinais de cansaço. Ele começou a diminuir as apresentações no Circo e tudo. O coração dele estava muito dilatado e no final e foi feito o transplante . Deu rejeição.

12) Quando as pessoas sabem que você é filho do Mussum o que fazem? Qual a reação? Emendam um mussonhez como Cacildis?
R: Sempre, assim com você fez agora(falha nossa rsrsr). Mas sempre com carinho. Aí, começam a ficar me olhando, e se sou parecido e tudo mias. Dizem que sou muito parecido com o Aílton Graça também… (risos)

13) Aliás você deve praticar a fala de seu pai, já que lançou no ano passado a cerveja Biritis, não foi?
R: Isso. Uma cerveja de extrema qualidade, uma IPA. Eu e dois grandes amigos lançamos a Biritis depois de uma viagem que fizemos. Na verdade, passou um barco e comentei com os meus amigos que o barco parecia com o que meu pai tinha. Na conversa, surgiu a ideia da cerveja. Eu já estava com vontade de homenagear meu pai de alguma forma. Em casa, ele chamava a cerveja de Ampola. Nos Trapalhões ele chamava de Ampolis. E no programa brincava : “Traz minha Biritis!”. A minha BIRITIS é a primeira de várias que vamos lançar. É uma Viena Lager e a primeira que a BRASSARIA AMPOLIS lançou com 4.8 % de teor alcoólico e de cor alaranjada. Agora mais filtrada ainda. A ideia era para entrar no mercado cervejeiro e ser reconhecido e pudessem curtir. É um mercado exigente. A cerveja é forte, não é popular. É pesada porque esse mercado pede isso. Mas vamos lançar uma mais leve agora. Estamos bem, fazendo 23 mil litros /mês com 800 pontos de venda no Brasil e em 9 estados.

14) Tinha outros nomes como mezis, cervejis, ou forevis, sei lá..?
R: Muitos, cada um mais engraçado que o outro. O Ampolis foi o mais fácil porque , como disse, ele já chamava de AMPOLA, BIRITIS.

15)Como enxergou a ideia da biografia que sai esse mês , através do jornalista Juliano Barreto?
R: Foi muito bacana. Ele contou que num bar em São Paulo mexendo nuns discos viu um dos Originais do Samba . Não sabia que meu pai era do grupo. Daí, ficaram levantando histórias dos Trapalhões e surgiu a ideia. Nem li ainda. Estou muito curioso.

16) Seu pai dizia frases antológicas nos programas daquela época que hoje soariam como preconceituosas, tais como “quero morrer prêtis se eu tiver erradis” ou negão é teu passadis”, o que acha disso?

R: Era um humor inocente. Caberia fácil-fácil até hoje, mas o mundo para os humoristas anda meio chato, não?

17) Afinal, o criador do Mussum foi Chico Anysio, ou o Renato Aragão, você sabe responder?
R: Lá em casa , sempre ouvi que foi o Chico Anysio. Assim, o personagem já existia. O Chico é que inventou esses finais das palavras.. E foi o Dedé quem levou meu pai para Os Trapalhões.

18)Qual o próximo passo agora?
R: Acho que vou largar emprego, me dedicar a marca, a minha empresa e divulgar a memória de meu pai. Meus netos e bisnetos vão continuar levando o personagem Mussum adiante. Não tem o Michael Jackson, o Elvis Presley? Há quanto tempo Elvis nos deixou: A imagem não está viva? MUSSUM também ficará.

19) Uma palavra , uma frase para descrever seu pai?
R: Carinho. Uma boa pessoa, um bom homem.


2 Comentários

  • Harlei Cursino Vieira disse:

    Eu li neste ano de 2015 o livro Mussum Forevis – Samba, Mé e Trapalhões; uma das melhores biografias que eu já li!

  • Jonatas disse:

    Muito boa a cerveja e sua humildade que nem mussu seu pai. Esta muito orgulhoso de vc parabens….


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