Ele nem guarda marcas ou sofrimento, mas sua família, sim. O jovem Flávio tinha apenas 1 mês e meio de vida quando parte do prédio onde morava , o Palace 2 , na Rua Jornalista Henrique Cordeiro, veio abaixo se transformando numa das maiores tragédias do Brasil da década de 90. O comandante dos Bombeiros ,na época, Marcus Vinicius Mynsen foi quem se comoveu com a história do pai de Flávio que o convenceu a subir 17 andares de um edifício prestes a cair para pegar pertences e documentos. Na parede do pequeno Flávio, o poster de Ayrton Senna. Como o comandante era apaixonado e fã do automobilismo as lágrimas caíram.
Após 7 anos, o destino fez o seu papel e reuniu Flávio e o comandante no extinto Kartódromo do Via Parque onde o coronel mantinha uma equipe de competição. Após o convite para ingressar, Flávio não parou mais e vem colecionando glórias na carreira. Agora, com 17 anos , pena para se manter vivo no esporte e alimentar o sonho de ingressar na categoria de acesso à Stock Car. Esse sonho ainda existe graças ao apoio incondicional do pai e empresário que emprestou seu nome e tempo, além de um grande esforço em manter o filho no esporte , cada vez mais caro.
Flávio Moura foi campeão no Kart nas copas Henrique Ribas, do Sudeste, Grande Prêmio RBC, além de uma honrosa quarta colocação na bem disputada Copa Brasil. Hoje se aventura na categoria Fórmula Vee, que são aquelas baratinhas que lembram os carros dos anos 50. Na verdade, foi mais ou menos nessa época que surgiu a categoria e que ficou bem famosa aqui nos anos 80 quando Emerson Fitippaldi deu uma força e até fez umas corridas. Na época , se chamava Fórmula V. Nos Estados Unidos ainda tem um bom público e dali já saíram campeões mundiais de Fórmula Um, como Keke Rosberg e Niki Lauda. Os motores VolksWagen são os utilizados e uma série de regras são levadas à risca para manter a diferença somente no braço dos pilotos.
Para o jovem Flávio tem sido muito difícil conciliar as idas ao Paraná(aonde está sua equipe) e à São Paulo para os treinos e corridas, já que ainda estuda. Morador de Vargem Pequena alimenta o sonho de correr por outras categorias e lamenta não ter como se dedicar ao esporte aqui no Rio:
__”Não ter como correr e treinar aqui aonde moro é muito difícil. Uma cidade que vai sediar uma Olimpíada e não ter seu próprio autódromo é inadmissível”, completa o piloto.
Para o pai também Flávio, enquanto puder apostar no talento do filho vai continuar:
__”Não posso desistir . As pessoas falam que ele tem talento e os números mostram isso. Se ele se dedicasse mais , treinado todos os dias como se dever ser feito, os resultados seriam ainda melhores”, ressalta o “paitrocinador”. Enquanto não ganhamos um autódromo em Gericinó outras histórias como essa do Flávio irão surgir.









1 comentário
Garoto, cada dia uma nova surpresa, uma ótima matéria e sem duvida ira chegar lá.
Continue como é, não esqueça quando estiver na formula 1 levarei sua bateria….kkkk
abs. marinho