Num desses inúmeros dias ensolarados e quentes de janeiro, decidi me dirigir até a Prainha e visitar o Parque Municipal diante de tantas fotos postadas nas redes sociais de anônimos e amigos. Nesse dia, estava escalado para ficar com minha filha de 9 anos, Ana Carolina. Uma criança que nos dias de hoje, envolvida com personagens Disney e violettas da vida, não se anima muito em ficar debaixo do sol forte e encarar uma mata, certo?
Li algumas notícias na internet e lá fomos nós. Para nossa surpresa ao chegar não fomos abordados por flanelinhas, fato raro nos dias de hoje dos cariocas. Por ser uma área de preservação ambiental, paraíso do surf e ainda carregar a Bandeira Azul(Certificação dada pela ONG Foundation For Environmental Education pela qualidade ambiental, infra-estrutura e projetos de educação ambiental)me empolguei em mostrar o pequeno paraíso tão perto de nós. Aliás, esse selo é concedido apenas as praias urbanas que atendem a critérios específicos, como balneabilidade e a existência de projetos de educação e gestão ambiental no local.
Voltando a saga-trilha-calor-filha-
Entre eles, a borboleta azul, deslumbrante e faceira. Volta e meia ela aparece para nos animar e seguir em frente. A mata vai ficando densa, e a filha, reclamando:
__”Pai , tá chegando?”. Uma maritaca canta e um camaleão balança o capim e ela grita:
__”Pai, aqui tem leão, cobra? E eu respondo meio que na dúvida:
__”Leão? Não. Cobra e onça, talvez”.Ela, cada vez mais paralisada dá um salto e pula em cima de mim. Se não fosse as duas bolsas com equipamento, um tripé e 43 anos nas costas, talvez tirasse de letra. Chega um momento que a trilha parece uma montanha russa, porque desce e sobe nos deixando confusos, achando que estávamos perdidos até avistarmos uma placa: mirante do Caeté. Estamos certos. O terreno começa ficar mais íngreme e escorregadio, mas quando pensávamos em desistir, ouvimos vozes, vozes de jovens.
Eram dois casais, sendo um de Dourados, Mato Grosso do Sul. Disseram que valia à pena e que já estávamos chegando. Mais 5 minutos e nos deparamos com o cenário deslumbrante. Carolina ficou aliviada e atenta a tudo ao seu redor. A vista do Recreio com a Barra ao fundo enfeita os olhos. Um olhar mais atento percebe a montanha do Joá, com o formato do gigante deitado na altura da Mesa do Imperador. Quando perguntei a jovem aventureira o que ela achou da vista, ela tascou:
__”Cadê o carinha da aguinha?”.
Caeté, que em Tupi significa mata virgem. Entre as décadas de 80 e 90, a especulação imobiliária chegava feroz a região e anunciava a criação de um complexo hoteleiro. Os surfistas na ocasião se rebelaram e brigaram pelo espaço. Junto com a prefeitura em 2001, que através da Secretaria de Meio Ambiente criou-se o parque da Prainha. No site do jornal tem dois vídeos explicativos garimpados no you tube. Passa lá.















