Uma aventura por trilha na Prainha Caeté

Matérias - fevereiro de 2014

Num desses inúmeros dias ensolarados e quentes de janeiro, decidi me dirigir até a Prainha e visitar o Parque Municipal diante de tantas fotos postadas nas redes sociais de anônimos e amigos. Nesse dia, estava escalado para ficar com minha filha de 9 anos, Ana Carolina. Uma criança que  nos dias de hoje, envolvida com personagens Disney e violettas da vida, não se anima muito em ficar debaixo do sol forte e encarar uma mata, certo?

Li algumas notícias  na internet e lá fomos nós. Para nossa surpresa ao chegar  não fomos abordados por flanelinhas, fato raro nos dias de hoje dos cariocas.  Por ser uma área de preservação ambiental, paraíso do surf  e ainda carregar a Bandeira Azul(Certificação dada pela ONG Foundation For Environmental Education pela qualidade ambiental, infra-estrutura e projetos de educação ambiental)me empolguei em mostrar o pequeno paraíso tão perto de nós. Aliás, esse selo é concedido apenas as praias urbanas que atendem a critérios específicos, como balneabilidade e a existência de projetos de educação e gestão ambiental no local.

Voltando a saga-trilha-calor-filha-matéria, fomos ao pequeno museu sobre as espécies que ali vivem na região e partimos pela trilha, que não é muito alta, mas requer um certo preparo. Como marinheiro de primeira viagem, achei que não era tão alto e dava para subir e descer rápido.  As placas nos levam para a subida e vamos avistando diversas espécies. Aves e lagartos convivem em harmonia, dando uns sustinhos quando passamos. Maritacas, tiribas e sanhaços cantam a todo momento como se estivessem avisando entre eles que tem gente nova entrando na casa. Isso sem contar com os  inúmeros insetos que insistiam em pousar na minha cabeça, talvez atraídos pela falta de cabelo. 

Entre eles, a borboleta azul, deslumbrante e faceira. Volta e meia ela aparece para nos animar e seguir em frente. A mata vai ficando densa, e a filha, reclamando:

__”Pai , tá chegando?”. Uma maritaca canta e um camaleão balança o capim e ela grita:
__”Pai, aqui tem leão, cobra? E eu respondo meio que na dúvida:

__”Leão? Não. Cobra e onça, talvez”.Ela, cada vez mais paralisada dá um salto e pula em cima de mim. Se não fosse as duas bolsas com equipamento, um tripé e 43 anos nas costas, talvez tirasse de letra. Chega um momento que a trilha parece uma montanha russa, porque desce e sobe nos deixando confusos, achando que estávamos perdidos até avistarmos uma placa: mirante do Caeté. Estamos certos.  O terreno começa  ficar mais íngreme e escorregadio, mas quando pensávamos em desistir, ouvimos vozes, vozes de jovens.

Eram dois casais, sendo um de Dourados, Mato Grosso do Sul. Disseram que valia à pena e que já estávamos chegando. Mais 5 minutos e nos deparamos com o cenário deslumbrante. Carolina ficou aliviada e atenta a tudo ao seu redor. A vista do Recreio com a Barra ao fundo enfeita os olhos. Um olhar mais atento percebe a montanha do Joá, com o formato do gigante deitado na altura da Mesa do Imperador. Quando perguntei a jovem aventureira o que ela achou da vista, ela tascou:

__”Cadê o carinha da aguinha?”.

Caeté, que em Tupi significa mata virgem. Entre as décadas de 80 e 90, a especulação imobiliária chegava feroz a região e anunciava a criação de um complexo hoteleiro. Os surfistas na ocasião se rebelaram e brigaram pelo espaço. Junto com a prefeitura em 2001, que através da Secretaria de Meio Ambiente criou-se o parque da Prainha. No site do jornal tem dois vídeos explicativos garimpados no you tube. Passa lá.


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